Da interface ao mundo real: desenhando produto pra interações presenciais

Contexto

Durante o planejamento de uma campanha nacional envolvendo itens colecionáveis, surgiu a oportunidade de estender a experiência da campanha para além da coleta individual, permitindo trocas entre participantes

A proposta era utilizar o aplicativo para conectar pessoas com interesses compatíveis e as unidades físicas da rede como ponto de referência para realização desses encontros.

No entanto, a demanda chegou ao time de produto sem definição de escopo, fluxo ou diretrizes claras. A partir desse ponto, todo o desenho da experiência precisaria ser estruturado.

Excel censurado

Após o crescimento inicial, a participação do app nas vendas começou a cair, revelando um cenário confuso e contraditório.

Desafio

A solução envolveria a mediação de encontros entre pessoas reais. Isso trazia uma série de implicações que iam muito além da interface:

  • garantir segurança na interação entre usuários;
  • evitar canais de comunicação que pudessem gerar riscos ou uso indevido;
  • permitir coordenação entre as partes sem expor dados pessoais;
  • estruturar um fluxo flexível o suficiente para acomodar negociações naturais entre usuários.


Uma das decisões centrais do desenho da solução foi não utilizar chat entre usuários. Embora fosse a solução mais direta para coordenação de trocas, esse modelo abriria espaço para compartilhamento de contatos pessoais e combinações fora de ambientes seguros. Em vez disso, optamos por estruturar a negociação por meio de interações guiadas dentro do próprio fluxo do produto.

Abordagem

Diante da ausência de escopo inicial, assumi a estruturação completa do fluxo de produto.

O trabalho começou com o mapeamento das interações necessárias para que duas pessoas conseguissem realizar uma troca com segurança e previsibilidade, considerando todo o ciclo da experiência:

  • matching automático com possíveis parceiros de troca;
  • identificação de interesses compatíveis;
  • coordenação do encontro entre os usuários;
  • confirmação e acompanhamento da troca;
  • avaliação da experiência (construção de confiança nas interações).


Para viabilizar isso sem recorrer a um chat aberto, desenhei um sistema de interações estruturadas, permitindo que usuários negociassem condições da troca por meio de ações pré-definidas dentro do próprio fluxo.

Entre os elementos planejados estavam:

  • correspondência entre usuários com interesses compatíveis;
  • priorização de pessoas geograficamente próximas;
  • sugestão e negociação de horários para encontro;
  • possibilidade de reagendamento ou cancelamento;
  • confirmação de presença antes da troca;
  • notificações em tempo real informando mudanças no status do encontro;
  • avaliação pós-troca, a fim de construir um histórico de confiabilidade dentro da plataforma.

Esse modelo permitia manter a flexibilidade necessária para organizar a troca, ao mesmo tempo em que evitava comunicação aberta entre usuários e reduzia riscos associados à plataforma.

Além da estrutura conceitual, também elaborei o detalhamento das regras do sistema e os fluxos de navegação necessários para a implementação. Em colaboração com a equipe de design, transformamos essa estrutura em um conjunto inicial de telas e interações que materializavam a experiência proposta.

Dashboard censored

Métricas bem estruturadas são o ponto de partida para responder boas perguntas. Sem elas, não há direção, apenas suposições.

Resultados

O projeto resultou em um fluxo completo de produto, incluindo:

  • definição da lógica de funcionamento da funcionalidade;
  • detalhamento de regras e comportamentos do sistema;
  • estruturação da experiência do usuário de ponta a ponta;
  • prototipação das telas necessárias para implementação.


A construção da solução exigiu decisões cuidadosas sobre interação entre pessoas no mundo real, responsabilidade da plataforma e equilíbrio entre segurança e usabilidade.

A experiência reforçou como produtos que conectam pessoas fora do ambiente digital exigem atenção não apenas à interface, mas também às dinâmicas sociais que a plataforma passa a mediar.

Símbolo

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